Mensagem do Presidente

Prezados Associados,

Gostaria de apresentar a todos a NOVA SBRH e o novo Portal ! Neste ano que a Associação faz 70 anos estamos propondo uma maneira diferente de relacionamento com o associado. Queremos levar a SBRH até o seu público, mostrar quão importante são suas atividades e ser uma Associação geradora de Ciência e Conteúdo.

Somos uma Associação aberta não só a Médicos mas também a outras categorias que se relacionam com a Reprodução Humana. Estamos recebendo tanto novas especialidades médicas bem como profissionais de outras categorias como Embriologia, Psicologia e e Enfermagem.

Os 3 pilares desta gestão são: Educação Continuada, participação pró-ativa junto a associações médicas e agências reguladoras e atração de novos associados.



João Pedro Junqueira Caetano
Presidente


Abaixo a entrevista publicada no último boletim da SBRH:

O que pensa o presidente da SBRH

O mineiro João Pedro Junqueira Caetano assumiu a presidência da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) durante o último Congresso Brasileiro da especialidade, em novembro de 2016, apesar da intenção de continuidade do trabalho até aqui realizado por outros dirigentes, tem ideias e metas novas que expôs nesta entrevista para o Boletim SBRH, acompanhe e participe da sua gestão.

Boletim SBRH: Muitos o conhecem, mas seria bom colocar um pouco do seu currículo?

Dr. João Pedro: Minha formação foi em ginecologia e obstetrícia, mas meu foco é a medicina reprodutiva. Sou nascido em Belo Horizonte, fiz Faculdade de Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), minha residente médica foi no Hospital Mater Dei, também em BH, e daí parti para fazer uma pós-graduação na Universidade de Paris, no serviço de reprodução assistida do professor René Friydman. Tenho contato participativo com a SBRH desde quando era acadêmico de medicina quando participava da Delegacia Regional da SBRH em Minas Gerais. Minha pós-graduação em medicina reprodutiva “senso latu” foi obtida através dos contatos que eu tinha nos eventos da SBRH. Na época houve um Congresso Brasileiro em São Paulo presidido pelo Dr Dirceu Mendes Pereira. Com ajuda dele e dos Drs Walter Pace e Kleber de Morais, fui apresentado ao Dr Frydman que me acolheu em seu serviço no ano seguinte. Depois de voltar da França, fiz mestrado e doutorado na UFMG, sempre ligado à vida associativa, assumi vários cargos em várias gestões, agora culminando com a presidência para os próximos dois anos. A SBRH sempre foi muito importante para a minha história acadêmica.

Boletim SBRH: Participou de quais outras diretorias?

Dr. João Pedro: Participei em várias gestões. Ainda como residente em medicina eu tive os primeiros contatos com a SBRH quando o Dr. Ricardo Marinho era o Delegado regional da SBRH em Minas Gerais e fui convidado para participar. Fui delegado regional, Presidente das Diretorias Regionais mais de uma vez, tesoureiro, secretário-executivo e nas duas últimas gestões, vice-presidente. Estando nesse caminho há muito tempo, sempre nutri um desejo de realizar uma gestão com aquilo que aprendi.

Boletim SBRH: Quais são suas metas?

Dr. João Pedro:

  • Educação médica continuada: estimular eventos científicos nacionais através das Delegacias Regionais, estimular as aulas on line para os associados, atualizar os livros editados pela sociedade e realizar ao final do mandato um grande evento científico
  • Trabalhar as questões éticas e regulatórias das atividades de reprodução assistida
  • Procurar novas formas de financiamento da entidade.
  • Culminando com um maior número de associados

Precisamos trazer o associado de volta ! Precisamos entender o que nosso associado deseja, como e onde a Sociedade precisa atuar. Estamos realizando uma pesquisa on line para entender o que que nossos associados desejam e quais são seus principais anseios. A Diretoria representa seus associados e assim são eles que determinam onde querem que a sociedade vá. Somos instrumentos para o desenvolvimento de nossa sociedade. Após a pesquisa faremos em janeiro de 2017 em Belo Horizonte uma reunião de planejamento estratégico visando estabelecer quais serão os objetivos e as metas da Gestão 2017-18.

Além dos veículos de comunicação tradicionais como a revista e o boletim, queremos também incrementar a nossa participação na mídia social, pois acreditamos que hoje, não basta ter uma página na internet, é preciso levar conteúdo para os médicos e as pacientes. A SBRH precisa ser fonte de informação para esses dois públicos. Outro ponto importante é manter os programas de educação médica continuada, procurando levar ao associado a melhor evidência científica disponível naquele momento. A SBRH publica três livros importantes e vamos atualizá-los.
Outra questão a se enfrentar é o financiamento das atividades da SBRH. Não temos fins lucrativos, mas precisamos de recursos, além das anuidades de seus associados, para as atividades que deseja implementar. Precisamos pensar em novas fontes !

Boletim SBRH: Esta diretoria tem planos para o relacionamento com outras instituições e associações médicas e agências reguladoras?

Dr. João Pedro: Teremos muito trabalho nesta gestão. O Código de Ética Médica está em processo de revisão. O Conselho Federal de Medicina fará provavelmente uma atualização da Resolução CFM 2121/2015 que determina as normas éticas para a prática da reprodução assistida no Brasil. A ANVISA também abrirá consulta pública para atualização do RDC nº 33 de 2006 que determina o regulamento técnico para o funcionamento dos bancos de células e tecidos germinativos, leia-se clínicas e serviços de fertilização in vitro. E finalmente, mas não menos importante, precisamos rever as regras para obtenção do Certificado de Atuação em Reprodução Assistida autorgado pela Associação Médica Brasileira (AMB) via Febrasgo. Como pode-se perceber, são muitas frentes de trabalho e precisaremos da participação de todos os associados para opinarem em cada um destes temas. Quem não tem voz, não tem vez !!

As normas e resoluções devem trazer segurança para os médicos, mais especificamente trazer segurança jurídica e neste ponto é muito importante ter também parceria com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), por meio da sua Comissão Especializada em Reprodução Humana, significa que, neste período de dois anos, não estaremos sozinhos, mas em conjunto.

Boletim SBRH: Com relação à questão ética, poderia falar um pouco sobre o “embrião abandonado”?

Dr. João Pedro: Quando se fala naturalmente de fertilização in vitro hoje, falamos de possibilidades inimagináveis anos atrás. Congelamento de gametas e embriões, útero de substituição, doação de óvulos e espermatozoides, produção independente, gravidez em casais homoafetivos, entre outros. Temos desde 1992, uma das normas éticas para reprodução assistida mais modernas do mundo e que vem sendo atualizada mais frequentemente por causa dos avanços, mas existem temas que precisamos abordar. Um objetivo desta gestão é definir juridicamente o que fazer com o embrião abandonado, porque existe uma grande insegurança jurídica para as clínicas e os médicos. Hoje, uma clínica não pode descartar esses embriões, mesmo que o casal seja inadimplente. Os casais, muitas vezes egoisticamente depois que resolveram o seu problema, abandonam os embriões nas clínicas ou desaparecem, mudam de endereço e não avisam, deixam de cumprir com sua responsabilidade civil que é decidir sobre a guarda daqueles embriões. Apesar de existir uma regulamentação do CFM que permite o descarte dos embriões após 5 anos de congelamento após assinatura do termo de consentimento do casal e esse entendimento é o mesmo da ANVISA, não existe suporte nenhum do ponto de vista jurídico sobre o que fazer com o embrião abandonado.

Boletim SBRH: Qual é o setor que acha que precisa mais de sua atenção, no primeiro momento?

Dr. João Pedro: Não há um setor que requeira mais atenção, todos são importantes. A reprodução humana engloba todas as etapas do período reprodutivo: adolescência, fertilidade e infertilidade, contracepção, climatério, assim o objetivo do presidente não é dar atenção a uma área específica, mas fazer com que todas as áreas sejam contempladas.

Não poderia deixar de frisar que no ano de 2017 a SBRH fará 70 anos. Isto mesmo, trata-se de uma das mais antigas sociedades de especialidade do Brasil, antecedendo até mesmo a Febrasgo. Desta forma, precisamos comemorar, contar como foi esta longa caminhada da reprodução humana no Brasil.

Boletim SBRH: Gostaria de deixar uma mensagem para o encerramento da entrevista?

  • Dr. João Pedro: Sim, gostaria convidar todos para o 28º Congresso Brasileiro de Reprodução Humana, que ocorrerá em novembro de 2018, em Belo Horizonte. Trata-se de um evento tradicional no calendário médico e que ocorre de 2 em 2 anos. Parece longe, mas precisamos nos preparar com antecedência para oferecer um grande evento científico e também uma oportunidade de se fazer novos contatos e de se estreitar relacionamentos.

  • Boletim – 2016
    Ano 15 – 2ª edição

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